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Ádel e a floresta do silêncio
Ádel, brava guerreira, após longos anos encontrou-se com seu irmão em uma taverna. Nessa noite fria ela e o Technomante se abraçaram carinhosamente por uma eternidade em muitas realidades, permitindo que seus corações se sentissem. Permaneceram naquela troca e as dores de ambos foram adormecendo, seus corpos foram tomados por uma anestesia que se espalhava gradativamente por todos os poros, vísceras, ossos, músculos, veias e artérias. Tomaram parte de um vinho e o restante ofereceram aos deuses. No mesmo ritual Ádel recebeu de seu irmão o bracelete consagrado na montanha onde nunca é dia, um forte objeto de proteção. Ela partiria em duas luas para a floresta do silêncio, em busca de duas ervas que só cresciam lá. Precisava delas para o ritual de desvio do olhar. Conhecia bem o caminho, pois esteve lá mais vezes em busca das mesmas ervas, mas isso não isentava-a do perigo daquela mata fechada, escura, com plantas carnívoras e muitos espinhos. Seu irmão recomendou cuidado, beijou-lhe a testa. Ela beijou-lhe as mãos em sinal de devoção. Além dos perigos da floresta, ainda haviam os perigos do ritual. Um instante a mais da erva no fogo mágico poderia fazer com que a magia ao invés de cair sobre Morgana, recaísse sobre si mesma. Optou por correr o risco, afinal de contas, o que tinha a perder? Qualquer que fosse o resultado seria melhor do que ver seu grande amor Darth cegado pelo feitiço de Morgana, prestando-lhe toda devoção. Enfrentar os perigos da floresta e de um dificílimo ritual não poderiam gerar dor maior do que sentia. Partiu sem hesitar. Ao chegar à floresta, encontrou a primeira erva sem dificuldade. A segunda, no entanto, estava no fundo de uma caverna que Morgana já havia dominado com sua magia, criando um campo energético poderosíssimo. Ao adentrar tal lugar sua força vital começou a ser sugada. Ela não tinha forças para voltar. Quando quase não havia mais vida percorrendo suas veias, o Technomante, seu irmão, materializou-se a seu lado, pegou-a no colo, levou-a até a erva. Ádel pegou a com metade de seu último sopro de vida. Saíram de lá e a caverna desmoronou-se atrás de ambos. Fora a quarta vez que ele salvou sua vida. Lhe devia quatro favores, e sabia que na hora certa saberia como retribuir.
Escrito por Lila às 22h59
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