Pensamentos e loucuras
   Episódio III

Descontentamento...

Olhou para o espelho antes de dormir. Os cabelos no rosto tentavam esconder as olheiras profundas, mas não escondiam. A várias noites não conseguia dormir. Quem era aquela pessoa? Não sabia. Seria mais uma pessoa comum? Que acorda de manhã, toma café, trabalha, almoça, trabalha mais, estuda e vai pra casa? Que nas noites de sexta-feira veste a melhor roupa e "sai à caça"? Que pensa em subir de cargo na empresa, casar e ter filhos? Não, não era isso que via, mas... se não era isso, o que havia de ser? Estudar, estudar, estudar. E depois? Possuia algum talento? Algum dom? Acreditava que não. Esperava algum reconhecimento, mas pelo que? Por explorar as próprias potencialidades? Por ter aprendido algo durtante a vida? Isso todos fazem. O reconhecimento viria por grandes feitos, que não acreditava ser capaz de executar. Milhões de idéias sem ligação, sem conclusão passavam-lhe pela cabeça. Foi até a cozinha, bebeu um copo d´água e voltou ao espelho. Uma lágrima rolou pela face. Enxugou-a. Olhou para o relógio e viu que era tarde. Lembrou que estava a três noites sem dormir e desistiu de refletir sobre a própria vida. Tomou um calmante. Dormiu.

 



Escrito por Lila às 00h08
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Estou surtando com o lance da chácara pra onde provavelmente mudo em breve... não consigo parar de pensar nisso... vai ser uma mudança radical no meu esquema de viver... e acho que pra muito melhor. agora está faltando só fazer o contrato e essas coisas burocráticas, mas conseguimos uma chácara a um bom preço, bem localizada, muito bem cuidada, com 5 suites mais a casa do caseiro, ou seja, bastante privacidade para todos os moradores, enfim... o lugar perfeito... O que me nóia um pouco é a possibilidade de desentendimento com as pessoas que eu amo (já aconteceu isso mais de uma vez... morar com as pessoas, mesmo aquelas com quem se convive muito é sempre uma incógmita...), mas como tudo é superável... ? No mais ando estudando bastante pro concurso do banco, brigando com o computador pra tentar gravar um cdzinho demo, comendo e dormindo muuuutio...

beijinhos a todos...

 



Escrito por Lila às 23h34
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   Episódio II

Sobre as rosas...

     Conversaram. Ela chorava de soluçar. Para ele, parecia tudo bem, algo de carinho e compreensão permanecia. Caminhou lentamente até a roseira, tentou pegar uma rosa que se despetalou. Invadiu-me a mente a cantiga infantil :

"o cravo brigou com a rosa

 debaixo de uma sacada

 o cravo saiu ferido

 e a rosa despetalada..."

     Conseguiu duas rosas, uma branca e uma cor-de-rosa. Segurou-as em frente a nós, a rosa rosa em frente a ela e a rosa branca em frente a mim, por um longo tempo. Possivelmente eu percebi o tempo mais longo do que realmente foi. Disse algumas palavras confusas, inverteu as mãos, por fim, deu-lhe a rosa branca e deu-me a rosa rosa. A rosa branca desmanchou-se como a primeira que tentara pegar, ofereci a ela a rosa rosa em um gesto impensado. Ele voltou à roseira, pegou mais uma rosa branca e deu-lhe. Ela preferiu ficar com a rosa rosa, eu não questionei. Havia algo de simbolismo nisso? Não há como saber o que ele pensou, mas o fato é que ele deu a rosa rosa para mim. Como eu podia pensar em uma coisa dessas em um momento como aquele? Como eu era cruel...me senti culpada e tentei desviar o pensamento com algum esforço. Por algum tempo consegui. Caminhamos juntas para casa, com as rosas entre os dedos, conversando sobre o ocorrido, tudo o que viveram, todas as preocupações, as chances de voltarem. Praticamente só ela falava e os soluços não cessavam. A canção voltou a minha mente, e se repetia, repetia, repetia.  Qual foi a intenção dele? Fazia alguma diferença a cor da rosa? Ficou claro que estava tudo terminado, mas eu não devia me ocupar desses assuntos. Maldita canção que me tortura a mente.

 

 



Escrito por Lila às 00h13
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Toquei. Ontem. No Centro de Cultura, com várias semanas de atraso em relação a idéia original. A maioria dos meus amigos mais próximos estava lá e foi muito bom, pq gosto de fazer música para meus amigos. Foi um puta trampo arranjar um pedestal pro microfone, só tinha uma caixa, as dificuldades de sempre. Alguns enrroscos no meio de algumas músicas, mas acho que no geral foi bom. A Aline foi com um amigo dela que filmou... quero ver como ficou (estou ansiosa!!!!)

 Minha vida continua bagunçada, não sei se vou mudar de novo ou não, mas só mudo se for para um lugar melhor. Dichavei a lista telefônica hoje de manhã em busca da chácara pra onde queremos mudar muito em breve, mas pelo que vejo vai ser um pouco difícil encontrá-la. Eu até tenho tempo pra ir atrás disso, afinal, não posso sair de onde estou até 30 de setembro, mas o nelo e a jana tem mais urgência, por isso minha estadia em bauru, apesar de eu estar de férias oficialmente estenderá-se até terça, não domingo. 

sem mais para o momento, renovo meus votos de estima e consideração....kkkkkkkkkkkkkkkk



Escrito por Lila às 17h55
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   Episódio I



Inexistência...

Não houve nenhuma morte na cidade naquele dia. Não que isso seja bom, mas, de fato, anunciava que havia algo estranho acontecendo. Deu-se conta disso quando ao passar em frente ao único cemitério, o letreiro não tinha nenhum nome. Estava completamente vazio, o que não se lembrava de ter presenciado nos últimos 10 anos. Naquele dia, Júlio estava com preguiça de existir. Passou a maior parte do dia dentro de casa, sem que qualquer fresta de luz do ambiente externo pudesse dar qualquer indício de que o tempo estava passando. Saiu para cumprir os únicos compromissos dos quais não teve como se livrar, quando já havia anoitecido. Fez tudo o que tinha para fazer: cumprimentou com um sorriso falso nas faces, falou com todos mecanicamente, como se nada tivesse acontecido. Comeu qualquer coisa para enrolar o estômago, que já parecia estar digerindo-se a si mesmo, para diminuir um pouco da dor, com a qual também não se importava muito, tamanha era sua preguiça de existir. Foi para casa. Fechou as janelas e as cortinas, andou um pouco em círculos e voltou a dormir. Naquele dia não viu o jornal, nem ouviu nenhuma música do rádio. Lhe infernizavam a cabeça apenas os sons dos carros passando pela rua, não que houvesse muitos na cidade, mas parece que naquele dia todos resolveram sair e passar algumas vezes em frente a sua casa. Era algum tipo de protesto? Pouco se importava, tamanha era a preguiça de existir. Dormiu profundamente, não se sabe exatamente quando.


Escrito por Lila às 00h18
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   Rafa e Tata em Bauru

Pois é... Meus irmãozinhos estão passando essa semaninha aqui. Bagunçando bastante, convivendo com meu final de semestre conturbado, mas sobrevivendo. Eles estão me dando menos trabalho do que eu imaginava, mas é engraçado como as coisas mudam... horários, desencanamento de baladas, menos tempo pra fazer as minhas coisinhas... De qualquer forma eu estou curtindo e ao que vejo eles tb.

Talvez eu me mude muito em breve de novo, pra um lugar no esquema que eu quero a muito tempo... aguardem cenas dos próximos capítulos.

O Centro de Cultura mudará de formato muito em breve, e eu vou tocar lá nessa sexta, como uma espécie de "despedida". Músicas minhas e algumas que fazem parte da minha história... Como se fosse uma boa conversa...

 



Escrito por Lila às 20h20
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