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texto bagunçado
Nada de verdades nem de mentiras absolutas. Gostaria de entender por que as coisas acontecem ou deixam de acontecer, mas não entendo. É mais confortável pensar que o que não tinha de ser não foi, mas há aí embutido um merecimento ou um "tempo para as coisas" pré determinado, um destino. Não acredito em destino. As coisas simplesmente são e há a mesma possibilidade de algo acontecer ou não. Tudo se constrói processualmente e tudo interfere em tudo. Existe igual chance de dar tudo errado ou tudo certo, mas isso pode ser uma verdade ou uma mentira absoluta. Entendam como quiserem... Não gosto de teorias inatistas. Não acredito em dons. Não gosto também de muitas outras coisas com as quais sou obrigada a conviver. Não gosto de pensar a voltar a morar em São Paulo, pegar ônibus lotado todo dia pra ir ao trabalho, perder com isso duas horas na ida e duas na volta, até conseguir um emprego melhor e ter dinheiro pra comprar um carro, pra passar a perder apenas uma hora e vinte minutos, enfrentando o trânsito (apenas? quanta coisa se pode fazer em uma hora e vinte minutos?). Não gosto de contar a distância em tempo quando é pra ser medida em espaço, mas em São Paulo as duas coisas são a mesma. Não gosto de ter que usar sapatos e roupas que me sufocam, ou por serem quentes ou por serem desconfortáveis, ou ainda por não serem o que gosto de usar. Não gosto de ter só tv pra assistir aos domingos, ficar de saco cheio, desligar, pegar um livro e ler até ficar com dor na bunda e nas costas, até a vista se cansar e as palavras começarem a se embaralhar. Resolver ir dormir porque o dia seguinte é segunda feira e vai começar tudo de novo. Santificado seja o dia do sábado! Para drogar-se num bar a noite falando de amenidades, tentando deixar a cabeça livre por alguns instantes das contas que se acumulam, da corrupção dos nossos governantes (será que é tão difícil governar a nos mesmos?), dos problemas com as crianças e com as escolas, das doenças que não podem ser tratadas por falta de grana pra medicamentos, de tempo e por serem mais somáticas do que físicas (ok, sei que não dá pra separar e que um dos grandes problemas do mundo são gerados pelas abstrações. Abstrair é separar o inseparável). Será que vida é só isso? Gostaria realmente de pensar que não. Tento observar a vida biológica (existem diferentes vidas? é a vida humana diferente da dos outros organismos?), mas os homens inventaram o cimento e o asfalto. Quer coisa mais sem vida e sem cor do que cimento e asfalto? A tão prezada e idolatrada civilização! Odeio os malditos professores de biologia dentro da sala de aula, e me amedronta a idéia de ser uma delas. Como dar uma aula de biologia em um lugar tão sem vida? Só porque tem humaninhos respirando oxigênio, bactérias, algumas formigas caminhando e algumas aleluias em volta da luz não significa que a sala de aula seja viva. Para a cognição, a mente não é apenas uma coisa que capta informações e codifica, mas é o próprio processo de criação das coisas. O que está se criando apenas com giz, lousa e palavras que expressam as verdades científicas? Não sei o que está se criando, mas sei que não é algo vivo. Só com informação não se cria vida. Se cria aversão à vida, porque a reduz a nomes, a classificações, a simplificações, a reações de causa e efeito lineares. Quero criar minha própria vida, não simplesmente aceitar que algo externo o faz. Quero coevoluir com as pessoas e organismos, porque evolução nunca é um processo individual, nem com um único fator determinante. Envolve muitos genes em um pool, envolve mutações ao acaso, envolve processos de especiação constantes, não espécies estanques, envolve um meio complexo (será que é possível delimitar meio e organismo ou isso é mais uma abstração?), envolve simbioses que deram tão certo que fica quase, senão impossível saber onde começa um ser e termina o outro. Apenas nossas abstrações delimitam organismos. Não é a membrana celular que delimita a célula, muito menos a célula se autodelimita. É como desenhar... os contornos são apenas jogos de luz, não existem realmente... A célula só funciona dentro de certas condições e não sabe onde termina ela e começa o meio (e eu sou forçada novamente a usar a compartimentalização que acretito ser inexistente...). Não quero nem posso entender o meu cérebro como um arquivo cheio de gavetas que acesso o tempo todo. Não gosto do excesso de informações das cidades. Tem alguém tentando me vender algo o tempo todo, dizendo que eu preciso de coisas que não preciso. Gostaria de reparar mais nas mãos e nos olhos das pessoas, menos em suas roupas. Gostaria que o mau humor fosse menos contagiante do que o riso. Gostaria de andar menos ligada no "piloto automático" sem perceber as coisas que estão a minha volta (se até o "eu" é uma abstração, como o capital faz com que esse pareça tão nítido e verdadeiro?). Salas de aula e ônibus fedem mofo e suor. Banheiros de shopping fedem desinfetante... desinfetantes que não desinfetam nada. De onde veio o pavor de bactérias e outros microorganismos? De onde veio a idéia de que um ambiente totalmente asséptico é saudável? Se nosso intestino fosse totalmente asséptico não conseguiríamos viver. Se o estômago das vacas fosse asséptico não beberíamos leite. Estamos envolvidos em muitas simbioses. Quantas coisas estamos impedindo de acontecer em nome da pseudocivilização? Quais os ciclos naturais que estamos impedindo e rompendo? Não quero ser pseudobióloga, com vivências apenas de salas de aulas e laboratórios. Deixe os laboratórios aos químicos e físicos. Não acredito que um índice de importancia em ecologia seja funcional. Mais um índice baseado em critérios arbitrários, como tamanho e número de organismos. A única forma de saber o quanto um organismo é realmente importante no seu local é retirando-o de lá, e sinceramente, essa metodologia não é aplicável. Não gosto de arbitrariedades humanas, onde o importante é o que os homenzinhos conseguem ver. Não gosto da ciência criada por homens do sexo masculino, que separa as emoções. Não gosto nem sei me isentar de emoções, porque razão e emoção é mais uma separação das abstrações humanas. As verdades não são isentas de emoções, nem as verdades científicas que se propõe a ser.
Escrito por Lila às 14h25
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Correndo
Nossa, faz tempo que não posto, né? até tinha coisas para colocar, mas estou meio na correria. Cismei que tenho que dar um jeito de me sustentar, não por estar brigada com meus pais nem nada, só que estou inconformada de vê-los inertes diante da situação financeira da minha casa. fiquei dias com nenhuma moeda na carteira, até que não teve jeito, não tinha nenhum mantimento em casa e eu não consegui pegar aulas na diretoria de ensino, minhas alunas de violão desistiram, enfim... conclusão, me mandaram uns trocados que deu para comprar o básico, a fer me emprestou algum e eu comprei material pra mfazer sanduiches para vender na festa 24 horas, vendi todos e já paguei a ela o que eu devia, expus também meus trabalhos de macrame, virei a noite nesse esquema de 5a. pra sexta, sexta trabalhei o dia todo no tal sítio super explorador, das 7 da manhã as 10 da noite, acordei sem pernas no sábado e tive um fim de semana meio inútil, porque logicamente acumulou um monte de coisas pra fazer. Estou colocando meu quarto em ordem, jogando fora as coisas que não preciso e colocando as outras no lugar. Percebi que costumo deixar as coisas que preciso fazer a vista para não esquecer, e quando não faço a bagunça que se acumula é esse acumulo de coisas que não dou conta, vamos ver se eu consigo me concentrar em menos coisas. Quase não estou saindo pra baladas. Estou tentando dormir mais cedo (olha que absurdo, me coloquei a regra de antes das 4 da manhã e a 3 dias já não consegui...). Ainda não descobri o que quero fazer como projeto de conclusão de curso, mas talvez essa tentativa de colocar as coisas nos seus devidos lugares me ajude a decidir.
Escrito por Lila às 15h04
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